Achei que seria diferente… Achei que ser conselheiro de um grande condomínio fosse simples — revisar números e dar um parecer. Mas a realidade veio com pilhas de documentos, análise fiscal, projeções orçamentárias e decisões que exigem muito mais do que boa vontade.”
Essa é a sensação de muitos condôminos que, motivados pelo senso de responsabilidade coletiva, se voluntariam para o Conselho Fiscal acreditando que estarão apenas acompanhando os gastos do síndico. A intenção é nobre — mas a realidade é bem mais complexa do que parece.
Tudo começa de forma simples: uma assembleia, uma convocação, um convite para participar mais ativamente da vida condominial. Movido pela vontade de contribuir, o morador levanta a mão. É eleito conselheiro fiscal. Mas, no mês seguinte, descobre que sua função não é apenas simbólica.
Com a chegada das prestações de contas mensais, ele se depara com:
- Balancetes contábeis detalhados;
- Demonstrativos orçamentários;
- Notas fiscais e recibos;
- Contratos de serviços terceirizados;
- Folhas de pagamento e encargos trabalhistas;
- Projeções financeiras e decisões patrimoniais.
Sem formação técnica, sem tempo disponível e sem apoio especializado, o novo conselheiro passa a experimentar o peso de uma responsabilidade que exige conhecimento específico e muita cautela, afinal a análise financeira de um condomínio não é intuitiva. É preciso entender conceitos de contabilidade, direito condominial, tributos, orçamentos, fundo de reserva, provisões e muito mais. Um simples erro de interpretação pode levar à aprovação de gastos irregulares — ou à rejeição indevida de contas corretas.
Conselheiros atuam voluntariamente, mas a função exige dedicação constante. O fluxo de documentos é mensal. A atuação não se resume à assinatura de um parecer anual: é preciso estudar, comparar, questionar e acompanhar.
Na ausência de uma auditoria preventiva, o conselheiro atua às cegas, quando não possui formação técnica no assunto, pois não há quem o oriente sobre inconsistências técnicas ou alertas de risco.
Ele se torna o único filtro de controle, mesmo que, eventualmente sem capacitação contábil.
Quando o Conselho Fiscal é composto por moradores bem-intencionados, mas despreparados, o condomínio se torna vulnerável a:
- Erros ou fraudes não detectadas nas finanças;
- Conflitos internos entre conselheiros e síndico;
- Decisões orçamentárias mal embasadas;
- Insegurança jurídica em caso de litígios ou ações judiciais;
- Desgaste emocional dos próprios conselheiros, que se sentem sobrecarregados ou expostos.
Além disso, essa fragilidade pode ser percebida por fornecedores e maus gestores, criando um ambiente propício a desvios ou má administração.
Os conselheiros devem buscar capacitação por meio de cursos, palestras e materiais específicos sobre administração condominial, finanças e legislação.
Contar com uma empresa de auditoria independente não desobriga o conselho de sua função, pelo contrário: fornece suporte técnico, clareza e segurança nas análises. A auditoria preventiva mensal permite identificar riscos e corrigir falhas antes que se tornem problemas graves.
O conselho deve manter um canal aberto com o síndico, com a administradora e com os demais condôminos. Transparência é fundamental para fortalecer a confiança na gestão.
Conselheiros não devem agir isoladamente. O diálogo interno e a divisão de tarefas fortalecem o grupo e melhoram a eficácia da fiscalização.
Ser conselheiro fiscal de um condomínio é assumir um papel essencial para a saúde financeira da coletividade.
É preciso ir além da intenção: é necessário preparo, apoio e estrutura, pois a gestão de um grande condomínio envolve orçamentos robustos, compromissos legais e decisões que impactam dezenas, às vezes centenas de famílias.
Por fim, boa vontade é o primeiro passo, mas para que ela se transforme em resultados positivos, é preciso entender: em um cenário complexo, improviso não é opção , é é risco!











